domingo, 9 de setembro de 2012

Abby: O Exorcista blackxploitation


Conhecido como o primeiro “clone” de “O Exorcista” a chegar aos cinemas norte-americanos, Abby foi lançado pela American International Pictures (AIP) no final de 1974. Com direção de William Girdler, roteiro de Girdler em parceria com Gordon Cornell Layne e com a participação de Carol Speed e William “Blackula” Marshal. A sinopse é a seguinte:
Abby Williams, uma conselheira matrimonial (interpretada por Carol Speed) é possuída por um demônio da luxúria libertado pelo seu sogro, o Bispo Garnet Williams (William Marshall), um exorcista que detonava o capeta na África. Depois de possuída e tocar o inferno nos Estados Unidos a única esperança da pobre Abby é que o sogrão volte para casa, junto com seu filho e um policial para realizar um exorcismo africano sobre ela para retirar de seu corpo puro(?) a sanha do demônio.


Apesar de ser considerado um dos blackxploitation mais podres do mundo, “Abby” é estupidamente divertido. A velocidade da trama é muito “over-the-top” em alguns pontos, mas tudo funciona como deveria funcionar.  O diretor William Girdler desperdiça pouco tempo (o filme tem apenas 85 minutos), mas entrega alguns bons momentos como quando a entidade é lançada pela primeira vez em uma caverna e quando ela entra na casa dos Williams. E como era de se esperar a Warner Bros aparentemente processou a AIP (American International Productions) por plágio, impedindo o filme de ser exibido em alguns cinemas na época. Depois que o filme foi retirado, nunca mais a AIP conseguiu colocá-lo novamente em circulação, mesmo após as questões legais serem resolvidas. E a praga da WB permanece até hoje com o filme de W. Girdler estacionado numa coluna Cult sem nunca ter sido legalmente liberado para televisão ou vídeo. Em minha opinião eu achei uma puta sacanagem porque, fora a idéia de exibir uma garota possuída de boca suja, existe muito pouco do romance de William P. Blatty nesta pérola blackxploitation e eu duvido muito que a Warner Bros. detenha os direitos autorais sobre todos os filmes cujo tema seja possessão demoníaca.
De acordo com o próprio romancista do livro, o escritor William Peter Blatty, que estava no set de filmagens de Abby "o diretor William Girdler estava apenas tentando fazer uma versão diferente de O Exorcista e eu não tinha visto problema algum nisto". O que eu não entendo foi se Blatty disse que o filme de Girdler era inofensivo e serviria como uma espécie de “homenagem” ao Exorcista por que então correu atrás da Warner Bros. para processar o pobre Girdler? (se bem que até hoje ele ainda discorda disso!)


De qualquer forma, “Abby” não deixa de ser um espetáculo à parte. Assim como a sua parceira branquela, esta possuída afro(disíaca) não decepciona quando o assunto são palavrões, coisas (e até pessoas) voando, uma onda de tesão incontrolável ao tomar banho ou desossar um frango, rasgar as roupas e falar obscenidades aos amigos e diferente de Linda Blair, esta senhorita encapetada não desperdiça sua libido em objetos inanimados, preferindo um bacanal em um bar cheio de homens banhados no álcool e no vício. A atuação dos negões no boteco é impagável...
Por mais que toda a nata diga que “Abby” seja um plágio de “O Exorcista” eu acredito sumamente que a copia seria mesmo do Evil Dead de Raimi tanto pela atuação da sapeca Carol Speed quanto pela voz de Bob Holt, que me divertiu durante toda a sua aparição como o “eshu”.


Título: Abby
Ano: 1974
País: EUA
Direção: William Girdler
Roteiro: William Girdler, Gordon Cornell Layne
Duração: 89 min.
Elenco:
William Marshall (Bispo Garnet Williams)
Terry Carter (Reverendo Emmett Williams)
Austin Stoker (Detetive Cass Potter)
Carol Speed (Abby Williams)
Juanita Moore (Miranda 'Mama' Potter)
Charles Kissinger (Dr. Hennings)
Elliott Moffitt (Russell Lang)
Nathan Cook (Tafa Hassan)
Nancy Lee Owens (Sra. Wiggins)
Claude Fulkerson (Benny)
William P. Bradford (Dr. Rogers)
Bob Holt (voz do Demônio)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Chucrutes e putaria exploitation

 Publicado originalmente na coluna Eddy is Dead do site Gore Boulevard

Na área do cinema exploitation aparentemente não há assunto que está fora dos limites. Os terríveis atos de nazistas e seu tratamento de judeus nos campos de concentração da Alemanha não é definitivamente um termo fora dos limites. Tem havido uma série de filmes altamente "divertidos" neste subgênero.

Os filmes de campos de concentração nazistas começaram a cativar os espectadores com The Night Porter (1974), e foram então agraciados com uma enorme quantidade de clássicos exploitation como por exemplo Ilsa, She Wolf of  SS (1975), Salon Kitty (1976) e Beast in Heat (1977), mas quem poderia esquecer de SS Experiment Love Camp? Este foi um dos filmes que começaram a loucura dos "Videos Nasty"  na Inglaterra, durante a ascensão do vídeo no início dos anos 80. A arte da capa de seu lançamento inicial que descrevia uma mulher pendurada de cabeça para baixo, quase completamente nua, numa espécie de cruz invertida deixou os conservadores altamente ofendidos e e nada mais foi o mesmo novamente.



A sinopse é a seguinte: Um certo número de judias foram enviados como prisioneiras a um campo de concentração alemão para uma série de experimentos encomendados pelo Führer. Se você precisar de alguma ajuda para descobrir o que poderiam ser essas experiências, vamos dar uma olhada novamente no título: SS Experiment Love Camp (Campo de Experiências Amorosas da SS).

Como em qualquer teste em fertilidade, a primeira coisa que você precisa fazer é obter um par de participantes dispostos (ou não, seja qual for o caso) e colocá-los em um tanque d'água. Felizmente, SS Experiment Love Camp não está errado neste teste vital, mesmo sendo um tanque que você pode transformar numa grande panela de pressão. Nestas experiências em primeiro lugar, juntamente com o seu par, os outros participantes são deixados para começar as coisas num cenário mais tradicional. O que não me sai da cabeça é como estuprar mulheres judias vai ajudar a melhorar a raça superior. A mesma "raça superiora" que queria eliminar o "sangue sujo" da Europa pretende criar arianos perfeitos no ventre de prisioneiras judias? Me explica aí, produção???



De qualquer forma, foda-se a razão. Se tem várias tomadas de peitinhos, bundinhas e torture-porn eu até posso colocar o raciocínio de lado por alguns momentos para saborear as ditas prisioneiras e seus assustadores "pastéis de cabelo" tão em voga na década de 70. Aos que procurarem o amor impresso no título do filme a sua busca não será em vão. SS Experiment Love Camp também nos apresenta uma linda história de amor entre uma prisioneira judia e um oficial da SS, Helmut, que teve a felicidade de ser um dos escolhidos a doar seus testículos ao seu superior, um coronel que deseja afogar seu ganso nazista novamente emcarnes judias. Para levantar a moral do pobre Helmut a prisioneira (num momento mágico em que eles conseguem fazer amor sem ninguém morrer, sem explosões e até com direito a mudança de trilha sonora!) a baqueta do oficial não surte efeito e a maldita ainda tem o dom de soltar a máxima: "Não se preocupe, querido. Estas coisas acontecem!".

Se você acha que isso foi hilário tente imaginar uma sapatão nazista com a voz da Wilma Flintstone, um comandante careca com uma grande cicatriz no rosto que parece ter sido feita com batom e a melhor de todas as cenas onde Helmut se encontra com seu coronel para um combate final e grita: "O que você está fazendo com minhas bolas???"



Na realidade, SS Experiment Love Camp é um filme bastante inofensivo. Não há qualquer tortura extremamente desagradável dos detentos. Comparado com a franquia da personagem Ilsa (deliciosamente interpretada pela atriz Dyanne Thorne) é quase um filme da Disney para adultos. Há tortura sim, mas muita coisa não faz sentido no filme e os (d)efeitos especiais são de uma precariedade tão grande (principalmente nas cenas de "dança" do forno onde vemos claramente que o fogo é sobreposto, no congelamento à base de algodão molhado, nos tiroteios sem sangue e nos nazistas que voam antes das granadas explodirem) você pode realmente notar que tudo o que vale neste nazixploitation é muitas risadas e talvez uma punhetinha vintage. Mas ainda assim, é isso que torna o filme divertido se bem que Garrone pareceu realmente querer fazer um trabalho sério sobre os horrores da Alemanha nazista. O próprio diretor alegou fazer uma série de pesquisas para os efeitos especiais durante a cena de transplante, afirmou que parte do filme foi filmado em um estábulo de propriedade de Mussolini, e que algumas das cenas mais sexualmente explícitas podem ter sido incluídas por outro diretor que as acrescentou sem que ele percebesse. Hmmmm, tá...

Defeitos (e mentiras) à parte, este é um filme que vale a pena assistir tanto por uma sádica diversão como para afirmar como os ingleses são frescos em relação aos filmes exploitation. Se você deseja um visual atraente e algum senso de lógica realista, é melhor assistir Saló, or 120 Days of Sodom (1957), pois SS Experiment Love Camp é um filme "schlock" com o selo de qualidade Sergio Garrone e um foco de diversão garantida se você curte assistir filmes "sérios" com efeitos do Chapolim Colorado.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Zumbis junkies apavoram a gringaiada



Os zumbis estão na moda: filmes, livros e séries como a americana ‘The Walking Dead’ têm vendido como nunca, explorando histórias sobre a proliferação de uma raça fictícia de mortos que levantam das tumbas e comem os vivos. Mas ninguém acha graça, quando o comportamento dos personagens é reproduzido na vida, o que tem acontecido com frequência crescente nos Estados Unidos. Segundo a políca, por causa de uma nova droga.

Relatos de vários ataques estão sendo relacionados com o uso de uma droga conhecida pelo nome de “sais de banho’, que contêm derivados de um estimulante cerebral. Os efeitos físicos são descritos como um mix de cocaína e anfetamina. A substância ainda pode ser comprada em parte do território americano legalmente.

Em junho, um homem sem teto, Brandon De Leon, ameaçou comer dois policiais em Miami, antes de ser contido. No Estado do Louisiana, Carl Jacquneaux, 43 anos, mordeu e arrancou parte do rosto da vítima antes de ser preso. Em ambos os casos, há suspeita de que agressores tenham usado a droga.

O caso mais famoso não chegou, porém, a ser confirmado como uso da substância: o mendigo Randy Eugene, 31 anos. Ele comeu aproximadamente 75% do rosto de outro morador de rua antes de ser baleado pela polícia.

O exame toxicológico não confirmou o uso do estimulante, mas Armando Aguilar, presidente de uma associação policial de Miami, afirmou que os incidentes de violência irracional estão aumentando, por causa dos “sais de banho”.

Ele diz que as pessoas estão mais violentas, ficam mais fortes e queimando por dentro. “Num incidente, um homem foi atropelado por um táxi, tirou as roupas e bateu nos ocupantes do veículo. Foram necessários 15 policiais para imobilizá-lo”, diz

Uma das substâncias já foi proibida

O uso dos “sais de banho” diagnosticado oficialmente por autoridades americanas passou de 300 em 2010 para mais de seis mil ano passado. A sequência de ataques relacionados com a droga também conhecidos como ‘cloud nine, chamou a atenção de políticos americanos e de países vizinhos. Um dos componentes da droga, MDPV, já foi, inclusive, proibido no Canadá.

O Departamento de Drogas da Polícia dos Estados Unidos (DEA) alerta que a substância pode produzir “agitação, insônia, irritação, enjoo, depressão, paranoia, delírios, pensamentos suicidas, apoplexias e pânico”.

Canibalismo ainda não aparece na lista da agência, mas a polícia de Miami, que tem relatado vários casos, orientou seus oficiais a terem cuidado ao abordar suspeitos de ter ingerido os “sais de banho”.

Outros casos de Ataque “Zumbi”

30/05/2012 – Ator é suspeito de matar homem, comer seus órgãos e enviar partes do corpo pelo correio
31/05/2012 – Um estudante de 21 anos confessou ter comido o coração e partes do cérebro do companheiro de quarto no estado de Maryland.
06/06/2012 – Carl Jacquneaux, de 43 anos atacou e mordeu um vizinho, arrancando um pedaço de seu rosto no estado de Louisiana.
25/06/2012 – Homem come rosto de mendigo antes de ser morto a tiros pela polícia em Miami nos EUA.
27/06/2012 – Mulher é morta por policias após tentar matar filho de 3 anos e ameaçar morder vizinha nos EUA.
01/07/2012 – Homem ataca mulher na China e mastiga seu rosto.
04/07/2012 – Homem nu invade campo de golfe e ameaça comer rosto de policiais

Para quem não conhece a beleza...

SINGAPORE SLING (1990)

QUANDO O PORNÔ SE TORNA UM MONSTRO

O REINO NOJENTO DE LUCIFER VALENTINE

MUITA PUNHETA E POUCO SANGUE...

OS 7 FILMES MAIS DOENTIOS JÁ REALIZADOS

A FINA ARTE DA BLASFÊMIA

BAD BIOLOGY: O RETORNO DE HENENLOTTER

AS TRÊS FACES DA DECADÊNCIA

CANNIBAL GIRLS: HIPPIES VS. GOSTOSAS

O PORNOHORROR DE CLAUDIO CUNHA

SEDUZIDAS PELO DEMÔNIO: SATANISMO E PUTARIA

PORN SHOOT MASSACRE: SILICONES EM FÚRIA

VAMPA: UM VAMPIRO 100% BRASILEIRO

OS ÚLTIMOS DIAS DE SCHRAMM

OS LÁBIOS DE SANGUE DE JEAN ROLLIN

BRUCE LABRUCE E O ATAQUE DOS ZUMBIS-ALIENS-GAYS

SEGUINDO OS PASSOS DO ANDARILHO

GUARUJÁ, VODU E PICARETAS

ANDY WARHOL'S: FLESH FOR FRANKENSTEIN

CANNIBAL! THE MUSICAL

VISITOR Q: A PEDRADA QUE SALVA

L. QUIGLEY: DANÇANDO COM A MORTE

L. Quigley: Dançando com a Morte

  Publicado originalmente na coluna Eddy is Dead do site Gore Boulevard

Ser "espirrado" do Facebook me magoou um pouco. Sentirei falta dos grupos pornôs que participava, mas a vida continua e ter perdido o meu perfil não foi uma coisa tão ruim. Ao invés de me descabelar resolvi dar um sôpro de vida aos meus velhos VHS's e numa noite destas resolvi assistir um dos clássicos da minha juventude que até hoje me cativa:  A Volta dos Mortos-Vivos" (Return of the Living Dead - 1985). 

Todos os pseudo-cinéfilos podem gritar aos quatro cantos que o filme promoveu o gênero na Nova Era e que sua criação estabeleceu o cinema de horror e...blá...blá...blá..., mas duvido que pelo menos a parte masculina dos fãs desta obra-prima de Dan O'Bannon oferece esta desculpa intelectual pra ficar babando no striptease que a punkinha faz encima dos túmulos afinal, quem não adora ver um par de peitos e um bumbumzinho gracioso balançando ao som do bom e velho rock and roll? Bem, estes peitinhos tem um nome: Linnea Quigley.


Linnea Quigley ficou mundialmente conhecida pelos fãs dos filmes trash por interpretar o papel da personagem  ”Trash”, a punk que dançava peladona em um cemitério no divertidíssimo “A Volta dos Mortos Vivos” de 1985. Ela também estrelou dezenas de outros filmes de terror, incluindo “Savage Streets” (onde co-estrelou com a encapetada Linda Blair), “Silent Night, Deadly Night”, “Nightmare Sisters”, “Creepozoids”, “Sorority Babes in the Slimeball Bowl-O-Rama”, “Hollywood Chainsaw Hookers” (outro dos meus preferidos!), “Night of the Demons” (o original de 1988 e seu remake de 2009), e “A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Master”. Linnea Quigley ainda escreveu dois livros sobre sua carreira como atriz de filmes B, “Chainsaw” e “I’m Screaming as Fast as I Can” e chegou a receber o tíluto de “Rainha dos Filmes B”.


Linnea Quigley nasceu em Davenport, Iowa ela se mudou para Los Angeles no final de 1970 para perseguir seus sonhos de atuar e rapidamente se estabeleceu no cenário de filmes independentes, aparecendo em quase uma centena de filmes. Também nos anos 80, Linnea aproveitou sua carreira em alta no gênero e lançou um histórico vídeo de ginástica aeróbica bastante peculiar, “Linnea Quigley’s Horror Work Out”. Nele, os pesos e instrumentos de musculação davam espaço à serras-elétricas e todo o tipo de maluquice. “Linnea Quigley’s Horror Work Out” virou um cult e é idolatrado até hoje!

Recentemente, Linnea co-estrelou um filme com Daniel Baldwin em “Stripperland” (2010). Em 2012, ela interpreta a personagem Clara no filme de David DeCoteau “1313: Cougar Cult”,  com Brinke Stevens e Michelle Bauer.


Como o tempo é um velho bastardo a velha Linnea já não me cativa como antes. Ao assistir o documentário "More Brains: A Return to the Living Dead" tive o (des)prazer de rever a minha musa e qual não foi a minha surpresa em descobrir que hoje sinto mais tesão pelo Tarman do que pela "tiazona" Quigley e depois deste desabafo encerro mais esta participação no Gore Boulevard para repensar sobre a criação de um futuro perfil ou sobre quais das minhas outras musas a minha mofada coleção de VHS's vai destruir hoje...

Visitor Q: A pedrada que salva!


  Publicado originalmente na coluna Eddy is Dead do site Gore Boulevard
Depois de ter sido expulso por má conduta pela equipe daquele judeu maldito do Facebook resolvi me manifestar sobre o modo de vida dos falsos moralistas que infectam o mundo com suas mentiras e máscaras de bem estar escrevendo uma coluna sobre como a sociedade é semelhante à um chiqueiro e nada melhor que escrever sobre o pai do desconforto cinematográfico, Takashi Miike, e sua obra-prima "Visitor Q". Produzido em 2001, esta loucura japonesa que leva a assinatura de Miike (Ichi the Killer, Audition) foi parcialmente inspirado em "Teorema" de Pier Paolo Pasolini. "Visitor Q" (Bijitâ Q, no original) retrata, de forma bizarra, a crise de uma família burguesa no Japão e como a própria mascara suas feridas sociais com status elevados e boas vestimentas. 
Kiyoshi Yamazaki (Kenichi Endo) é um jornalista que busca realizar uma reportagem sobre o crescimento da violência e do sexo no Japão. Para "aquecer" a matéria ele toma uma atitude um tanto extrema: começa realizando relações sexuais com sua própria  filha, que é prostituta, e filmando seu filho sendo humilhado e agredido por colegas de escola  em sessões intermináveis de bulling escolar. Para completar este quadro de "família feliz" seu filho desconta sua frustração espancando a mãe, que é viciada em heroína e que se prostitui para manter o vício, que é "escondido" da família. 
A trama ultrapassa o limite do bizarro com a chegada de um estranho visitante, o "visitante Q", que após alvejar a cabeça de Kiyoshi com uma pedrada o leva para casa enquanto acompanha os comportamentos bizarros e provoca mudanças no seio da família Yamazaki. Conhecido por seu também bizarro "Audition" (1999), Miike nos apresenta uma violenta parábola sobre a convivência cultural no Japão pós-moderno e através da bizarrice desenfreada que o diretor expõe sem nehuma maquiagem moral toda a crise da sociedade japonesa do século XXI tendo em foco a desagregação íntima da familia burguesa tradicional. 
O que torna os filmes de Takashi Miike tão assustadores não são os mortos , mas sim os vivos com seus dramas bizarros e perversões sexuais. Em "Visitor Q" você pode esperar de tudo: incesto, necrofilia, drogas, sexo grupal e uma cena espetacular onde a matriarca dos Yamazaki praticamente inunda um cômodo da casa esguichando leite materno como se fosse um chafariz. (como uma mulher com peitos tão pequenos pode produzir tanto leite? Preciso fazer uma viagem ao Japão urgentemente!!!)
A critica cultural em "Visitor Q" é tão explicita quanto as perversões sexuais que ele expõe. Logo na cena de abertura em que Kyoshi começa a fazer sexo com sua filha, ela pergunta: "O que você sabe dos adolescentes de hoje em dia? ". E ele responde incisivamente: "Eles se dizem o futuro do Japão. Um futuro sem esperanças!" 
Se no "Teorema" de Pasolini regredir ao estado primal era como sentir-se nu e desesperado no deserto, para Miike a regressão talvez seja recolocar seus personagens em um estágio tão primal quanto animalesco, e que talvez seja a única chance de redenção para este seu circo familiar. Com o estigma da violência e da degradação o "visitante Q" estabiliza a normalidade familiar exatamente como os médicos presenteiam a vida aos recém-nascidos com um tapaço no rabo! Pai e filhos sugam nos seios de uma mãe curada de cicatrizes e vícios que a sociedade lhes impunham enquanto todas as feridas (físicas e psicológicas) desaparecem por completo. A união familiar prevalece como se voltasse ao estágio fetal, onde a repressão social lhes era desconhecida e a única ordem a ser obedecida era a de viver bem entre os seus.
Ficha técnica
 
Título: Visitor Q (
Bijitâ Q, no original)
País: Japão.
Ano: 2001.
Direção: Takashi Miike.
Elenco: Kenichi Endo, Shungiku Uchida, Kazushi Watanabe, Shôko Nakahara,Fujiko, Jun Mutô.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Clan(nibal) Bean

 
Já que a moda agora é digerir carne humana vou estar postando por aqui algumas matérias sobre os canibais pelo mundo. Como o assunto "Canibais de Garanhuns" já virou carne de vaca (ou de gente!) vou mandar uma sobre um adorável devorador de gente ilustremente desconhecido...

Alexander “Sawney” Bean nasceu em East Lothian, Escócia, durante o reinado de Jaime I (1406-1437). Era oriundo de uma família de escavadores/pedreiros e ainda jovem arranja uma companheira, de seu nome Black Agnes Douglas (que segundo algumas lendas era bruxa) e foge da terra natal para se dedicar, com ela, ao banditismo. Viriam a instalar-se numa caverna que ficava junto à praia em Bannane Head, actual South Ayrshire. Inicicialmente, Sawney e a mulher limitavam-se a assassinar viajantes e ficavam apenas com o dinheiro, nunca com os bens - porque através destes podia ser estabelecida uma ligação criminal. Mas a família começou a crescer, e as crianças herdaram dos pais o hábito de matar e roubar para viver... 
 
o Casal teve 8 filhos e 6 filhas que por sua vez, através de ligações incestuosas, deram aos pais 18 netos e 14 netas, todos a viver numa gruta (hoje tida como atração turística) que penetrava na terra por quase 200m, com várias galerias e “divisões”. É muito imporante o fato da gruta ter uma entrada apertada que fica bloqueada quando a maré sobe. Serão estas condições geológicas que permitirão à família Bean transformar-se num caso de “serial killer”, impunemente, durante 25 anos.
 
À medida que a família crescia e que os hábitos pouco trabalhadores dos pais passavam aos filhos e aos netos, começava-se a por um problema que o dinheiro roubado aos infelizes viajantes já não podia resolver: o da alimentação. É então que a família além de matar os viajantes começa a aproveitar os corpos como alimento (conservando em vinagre e comendo no dia seguinte), e à medida que a família crescia, mais carne era precisa – mas por outro lado havia mais gente para participar nas emboscadas, sempre feitas durante a noite, e cortar qualquer via de fuga. Durante 25 anos assim viveu esta família – não havia testemunhas... nem corpos! Sawney e sua família nunca saíam durante o dia e durante 25 anos conseguiram eliminar qualquer pessoa que os visse a vaguear à noite e levantasse suspeitas sobre a existência de uma família canibal de 48 pessoas na imediações! As partes que não aproveitavam (ossos principalmente) eram jogados ao mar e iam parar nas praias vizinhas, o que assustava ainda mais as pessoas, mas não trazia pistas sobre os crimes, especialmente numa época de fortes superstições. As pessoas, de tempos em tempos, simplesmente desapareciam naquela zona, sem deixar rasto, principalmente forasteiros...
 
À boa maneira medieval muitas pessoas das vilas das redondezas foram condenadas, mas os desaparecimentos continuavam...

Diz a lenda que o clã matou pelo menos 1000 pessoas, até ao dia em que, tentando assaltar um casal que vinha montado num cavalo, deixaram escapar o homem (a mulher foi derrubada do cavalo e morta) o homem alertou as autoridades que depressa fizeram a ligação com os desaparecimentos dos últimos anos. Diz-se que o próprio Jaime I liderou uma força de 400 soldados e alguns cães que depressa guiaram os homens à obscura gruta. Na gruta havia restos humanos e bens roubados ao longo dos anos por todo o lado. A família foi levada para Edimburgo não tendo sequer tido direito a julgamento porque segundo a lenda Jaime I terá ficado de tal forma chocado que recusou conceder o estatudo de seres humanos à família. Os homens seus braços e pés amputados e sangraram até à morte enquanto as mulheres e as crianças foram queimadas vivas.

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